A lei 8213/91 de 24/07/1991 regulamenta a inserção da pessoa com deficiência no mundo do trabalho e obriga as empresas com 100 ou mais funcionários a reservar de 2% e 5% de suas vagas para profissionais com deficiência – PcDs.
Apesar da obrigatoriedade, as empresas devem visualizar na Lei uma grande oportunidade de contar com profissionais em seu quadro de colaboradores, considerando o moderno conceito da diversidade. Trata-se de um investimento e não somente de um custo. Entretanto, não significa que essa inserção será fácil, pois alguns desafios, certamente, devem ser vencidos para o sucesso do programa.
Muitas empresas não conseguem cumprir a cota e culpam a falta de mão de obra qualificada. Mas, faz-se necessário refletir que boa parte da qualificação profissional se dá no trabalho, no cotidiano e no decorrer das atividades. Nesse sentido, é essencial à empresa oferecer programas de treinamentos técnicos e comportamentais aos colaboradores em geral e aos PcDs, em particular, além do incentivo para que inicie e/ou continue com os estudos formais, como graduação, pós-graduação e daí vai.
É possível observar vagas sem nenhum desenho de perfil, algumas funções não apresentam nenhuma exigência, quanto à formação acadêmica ou experiência profissional, limitando a inserção de profissionais qualificados e graduados. O ideal para beneficiar empresas e profissionais com deficiência é a mescla de funções e análise de cargos e salários, porque existem profissionais iniciantes que estão em processo de qualificação e profissionais muito bem qualificados prontos para serem grandes líderes e profissionais de sucesso.
Muitas organizações também não apresentam condições de receber todas as deficiências (física, auditiva, visual, intelectual), faltam a estrutura física e a tecnológica, além de cultura organizacional que possa considerar esses profissionais em condições de serem competentes e aptos para o trabalho. Falta ainda muita informação, o que faz com que o preconceito seja a maior barreira na inserção de PcDs no trabalho.
Isso nos faz avaliar que, em inúmeros casos, a grande dificuldade esteja em “convicções”, diante de preconceitos e ideologias, uma vez que por muitos anos as pessoas com deficiência estiveram à margem da sociedade e do mundo organizacional, vistos como incapazes. Esses pensamentos devem ser transformados e a inserção de pessoas com deficiência deve ser visualizada com parte integrante e essencial para o sucesso e para o futuro da organização.